Conteúdo em parceria com a Afranga. Não é conselho financeiro nem recomendação de investimento. Lê o aviso completo no final do artigo.


Este artigo acompanha um vídeo que gravei no YouTube sobre o mesmo tema, onde mostro o processo ao vivo, passo a passo. Se preferires ver, podes assistir aqui.

Há plataformas que me contactam e que descarto em cinco minutos. E há outras que me obrigam a parar, a ler a documentação toda e a verificar a regulação antes de dizer que sim. A Afranga foi das segundas.

Começo pela parte que costuma fazer as pessoas sorrir. Sim, o nome soa a "a franga", e cá em Portugal isso dificilmente faz pensar numa plataforma financeira séria. Mas a Afranga é uma plataforma europeia de peer to peer lending, regulada, fundada na Bulgária, e o nome vem precisamente de lá. Passada a piada, o que interessa é o que está por baixo.

Neste artigo explico o modelo, a regulação, os números e, mais importante do que tudo, os riscos reais. E mostro-te algo que nunca tinha feito no canal: em vez de investir primeiro e falar depois, desta vez dividi 500€ ao vivo por três produtos diferentes, com os screenshots da minha própria conta, para veres o processo do início ao fim.

Antes de avançar, um princípio que aplico sempre. Isto é conteúdo patrocinado, e não tenho qualquer problema em dizê-lo logo no início. A parceria não muda a análise, muda apenas o facto de eu ter aceitado falar sobre a plataforma depois de me sentir confortável com o que investiguei. O que investes, investes por tua conta e risco.


O que é a Afranga, e de onde é que ela vem

O modelo de peer to peer é simples, e é algo de que falo muitas vezes. Emprestamos dinheiro diretamente a empresas, sem banco no meio, e recebemos juros na nossa conta. A Afranga é o veículo através do qual isso acontece.

A história ajuda a perceber o resto. A plataforma nasceu em 2021 como o veículo de financiamento da Stikcredit, uma financeira búlgara que existe desde 2013. Antes de ter plataforma própria, a Stikcredit financiava-se através da Mintos, uma das maiores plataformas de peer to peer do mundo. A ideia da Afranga foi eliminar o intermediário e criar um canal direto entre investidores e a operação de crédito da Stikcredit. Com o tempo, a plataforma foi acrescentando outros originadores búlgaros, embora a maior parte do volume continue a vir da Stikcredit.

Isto é importante retê-lo desde já, porque tem implicações no risco. Estamos perante uma plataforma cujo volume está muito concentrado num originador principal, que por acaso é também a empresa-mãe.

O painel inicial da minha conta na Afranga, já com os primeiros investimentos feitos

A regulação, e porque é que ela muda tudo

Aqui está o ponto que, para mim, pesou mais na decisão de avançar.

A licença ECSP (European Crowdfunding Service Provider), o regulamento europeu específico para plataformas de crowdfunding, foi aprovada à Afranga pela Comissão de Supervisão Financeira da Bulgária em setembro de 2023. Já em março de 2025, a plataforma relançou-se totalmente sob esse enquadramento, na versão a que muitos chamam "Afranga 2.0". Ou seja, uma coisa é a data da licença, outra é a data em que a plataforma passou a operar por inteiro dentro das regras. Convém não misturar as duas.

O que a licença ECSP significa na prática:

E há um detalhe que muita gente ignora, e que para mim é dos mais relevantes. A Afranga utiliza a Lemonway, uma instituição de pagamento francesa licenciada pelo regulador ACPR, para guardar os fundos dos investidores. Na prática, o teu dinheiro fica em contas segregadas, separadas do dinheiro da empresa, e não no balanço da Afranga. Isto significa que, se a plataforma fechasse amanhã, o teu dinheiro não desaparecia com ela, porque está numa conta individual em teu nome, numa instituição licenciada.

Não é uma empresa num paraíso fiscal, nem uma startup a operar numa zona cinzenta. É uma plataforma regulada, com um regulador por cima. Isto não elimina o risco, e já vamos falar disso, mas coloca-a numa categoria diferente de muita coisa que anda por aí.

Os fundos dos investidores ficam em contas individuais na Lemonway, uma instituição de pagamento francesa licenciada.

Os números, com o rigor que eles merecem

À data da gravação do vídeo, a Afranga apresentava um conjunto de números que ajudam a dimensionar a plataforma:

Os números atualizados vão sempre estar na página de estatísticas da plataforma, e recomendo que os consultes lá antes de decidires o que quer que seja, porque estes valores mexem todos os meses. Como contexto adicional, trackers independentes do setor apontam já para mais de 80 milhões de euros em empréstimos financiados desde 2021, o que dá uma ideia do crescimento.

Sobre o "zero defaults", é preciso perceber bem o que isto quer dizer, para não criar a ideia errada de que não há risco. Significa que, até hoje, nenhum investidor deixou de receber o que lhe era devido. Não significa que os empréstimos subjacentes nunca falhem. A própria carteira da Stikcredit tem uma taxa de incumprimento na ordem dos 12% a 15%, algo normal no crédito ao consumo, que até agora tem sido absorvida pelo originador e não repassada ao investidor. O que quero que fique claro é isto: o histórico é bom, mas o histórico não é uma garantia.

E há um ponto que faço questão de repetir. A Afranga existe desde 2021. Nesse período não houve propriamente um ciclo económico verdadeiramente severo à escala global, e por isso ainda não sabemos como é que a plataforma, e o originador, se comportam numa crise grave. Isto é algo a ter em mente antes de colocar lá dinheiro.


Como funciona: os dois produtos

Dentro da Afranga tens duas formas de investir, e a diferença entre elas é importante.

1. Save Smart. É um produto de prazo fixo. Defines o valor, escolhes o prazo e sabes exatamente o que vais receber. Os juros caem mensalmente na tua carteira e o capital é devolvido no final. As opções, à data, eram: 3 meses a 8% ao ano, 6 meses a 9% ao ano, ou 12 meses a 10% ao ano. É o produto mais parecido com um depósito a prazo, mas convém deixar bem claro que não é um depósito a prazo, não tem a proteção de um depósito e o capital não está garantido. É simplesmente o formato mais automático da plataforma, ideal para quem quer investir e esquecer. O investimento mínimo no Save Smart é de 10€.

2. Empréstimos individuais. Aqui tens mais controlo. Escolhes em que empresa investes, a que taxa e por quanto tempo. Antes de investir, deves sempre consultar o KIIS (Key Investment Information Sheet), o documento obrigatório pela regulação ECSP. Tem cerca de cinco a seis páginas, é bem estruturado e reúne a informação sobre a empresa, os riscos, as garantias e as condições do empréstimo. Não é um documento complicado, e é a primeira coisa que qualquer investidor sério deve abrir.


O ponto que mais gente percebe mal: a garantia de recompra

Este é o parágrafo que te pode salvar de um mal-entendido, por isso presta atenção.

No modelo antigo da Afranga, os empréstimos da Stikcredit vinham com uma garantia de recompra. Se um empréstimo ultrapassasse os 60 dias de atraso, o originador recomprava-o e devolvia o capital mais os juros acumulados.

No modelo atual, sob a regulação ECSP, a estrutura mudou. Passou a tratar-se de empréstimos diretos à empresa, garantidos pelos ativos da própria empresa, e deixou de existir a garantia de recompra clássica por empréstimo. Por outras palavras, o teu capital fica em risco, coberto pelo colateral da empresa e não por um buyback automático.

Isto não é bom nem mau em si mesmo, é apenas diferente, e tens de o saber. Muita informação que circula sobre a Afranga ainda descreve o modelo antigo. Se algum dia leres em qualquer lado que "a Afranga tem buyback de 60 dias", desconfia e vai confirmar diretamente ao KIIS do empréstimo em questão, porque no enquadramento atual a lógica é a do colateral, não a da recompra garantida.


A minha experiência: 500€ divididos ao vivo por três produtos

Chega de teoria. Passemos à parte que interessa mesmo.

Transferi 500€ por transferência bancária a partir do meu banco, e no dia seguinte o dinheiro estava disponível na conta, sem complicações. Em vez de meter tudo num só sítio, dividi por três produtos, porque em peer to peer a diversificação é tudo. Não coloquei os ovos todos no mesmo cesto, coloquei-os em três cestos com perfis e prazos diferentes.

Foi assim que reparti:

200€ no Save Smart a 12 meses, 10% ao ano. O mais simples e automático. Os juros caem mensalmente na carteira e, ao fim de 12 meses, tenho o capital de volta. Deixei ativa a opção de reinvestimento, para que o capital e os juros voltem a trabalhar quando o empréstimo chegar ao fim. Não preciso de fazer mais nada.

200€ na Stikcredit, empréstimo individual a 16% ao ano durante 36 meses. É a taxa mais alta disponível no momento e o originador mais estabelecido da plataforma. Em troca dessa taxa, o dinheiro fica alocado durante três anos, e é fundamental estar consciente disso: durante 36 meses este capital fica comprometido, ainda que receba os juros mensalmente pelo caminho.

100€ na Tiberos, empréstimo individual a 10% ao ano durante 3 meses. Prazo curto e com um ativo real como colateral. Serve para dar ao portefólio uma fatia com mais liquidez e uma garantia associada. Atenção a um pormenor que confunde muita gente: uma taxa de 10% ao ano num empréstimo de 3 meses não paga 10% em três meses. Paga a proporção de 10% anual referente a esse período, ou seja, sensivelmente um quarto.

Três produtos, três perfis de risco, três prazos. É assim que penso diversificação dentro de uma mesma plataforma.


Os riscos, sem rodeios

Esta é a secção que mais interessa, e a que muitos criadores encurtam. Eu prefiro alongá-la.

Não existe garantia de recompra. Como expliquei acima, no modelo atual o capital fica em risco, coberto pelos ativos da empresa e não por um buyback automático. Se um empréstimo corre mal, podes perder parte ou a totalidade do que investiste nele.

A liquidez é limitada. O dinheiro fica comprometido até à maturidade do empréstimo. O mercado secundário, que permitiria vender a posição mais cedo, esteve disponível na plataforma antiga mas ainda não está ativo na nova, sem data confirmada. Investe apenas dinheiro de que não vais precisar durante o prazo escolhido.

O investimento é manual. A funcionalidade de auto-invest também ainda não regressou à nova plataforma. Por agora, escolhes cada empréstimo à mão. Para quem gosta de controlar, é uma vantagem. Para quem quer algo totalmente automático, é uma limitação.

A concentração no originador. A maior parte do volume vem da Stikcredit, que é também a empresa-mãe. Uma boa parte do teu risco está, portanto, ligada à saúde de uma única entidade. Vale a pena acompanhar as contas da Stikcredit, cujas imparidades subiram entre 2023 e 2024.

O histórico é curto. A plataforma, na sua forma atual, é jovem, e ainda não atravessou uma recessão dura. Um histórico limpo em tempo de bonança não prova resiliência em tempo de crise.

O risco cambial não se aplica aqui, porque os empréstimos estão em euros, mas convém confirmares que depositas a partir de uma conta em euros para evitares custos de câmbio.

A parte fiscal é contigo. Eu não sou contabilista, e não dou conselhos de natureza fiscal. Os juros que recebes têm implicações fiscais em Portugal, e o melhor é confirmares o enquadramento com um profissional. Não interpretes nada deste artigo como orientação fiscal.

Uma referência útil que encontrei em análises independentes do setor: vários analistas sugerem tratar a Afranga como uma posição satélite, limitando a exposição a algo como 10% a 15% de uma carteira de peer to peer já diversificada, e não como posição central. Não é uma regra, é uma forma sensata de dimensionar o risco.


Para quem faz sentido, e para quem não faz

A Afranga tende a fazer sentido para quem já conhece o peer to peer, quer taxas acima da média europeia, está confortável a analisar cada empréstimo por si próprio e aceita a ausência de garantia de recompra e de mercado secundário ativo por agora.

Não faz sentido para quem procura algo totalmente automático, para quem precisa de liquidez a qualquer momento, ou para quem confunde "regulado" com "sem risco". Regulação não é sinónimo de capital garantido.

No fundo, é uma plataforma que recompensa quem faz o trabalho de casa e penaliza quem entra às cegas atrás da taxa mais alta.


Conclusão

Fiz o que costumo fazer antes de aceitar qualquer parceria. Pesquisei, li a documentação, verifiquei a regulação, e só depois avancei. A diferença é que, desta vez, mostrei-te o processo todo ao vivo, com os 500€ a saírem da minha conta em tempo real.

A Afranga é uma plataforma regulada, com fundos segregados numa instituição licenciada, com um histórico até agora limpo e com taxas atrativas. Também é uma plataforma jovem, concentrada num originador principal, sem garantia de recompra clássica e com liquidez limitada por agora. As duas coisas são verdade ao mesmo tempo, e é essa a honestidade que te devo.

Se ficaste curioso e queres experimentar, o link de registo está aqui AFRANGA, e o investimento mínimo começa nos 10€, o suficiente para conheceres a plataforma sem grande exposição. Vou continuar a documentar a evolução deste portefólio, por isso, se quiseres acompanhar os próximos updates, o melhor é subscreveres o canal.

E fica a regra de sempre. Investe apenas o que estás disposto a arriscar, e diversifica entre plataformas e dentro de cada plataforma. Nunca coloques todos os ovos no mesmo cesto.


Aviso

Este artigo foi produzido em parceria com a Afranga. Não constitui conselho financeiro, recomendação de investimento nem orientação fiscal. O conteúdo reflete a minha abordagem pessoal e tem fins meramente informativos e educativos. Investir em plataformas de peer to peer envolve risco, incluindo o risco de perda parcial ou total do capital. As rentabilidades passadas não garantem rentabilidades futuras. Antes de investir, lê a documentação da plataforma, consulta o KIIS de cada empréstimo e, se necessário, procura aconselhamento profissional independente.