Antes de mais, uma nota rápida, porque sei que é a primeira coisa que muita gente vai querer.
O ficheiro que uso para acompanhar o meu património, exatamente este que vais ver ao longo do artigo, está disponível para download gratuito no meu site. É grátis, descarregas, abres no teu navegador, preenches com os teus próprios valores e fica guardado. Cada mês que adicionas fica lá, mesmo que só voltes a mexer semanas depois.
📥 Descarrega aqui o ficheiro de acompanhamento de património.
Feita esta apresentação, vamos ao que interessa. Fechou Julho, atualizei os meus números, e decidi que este mês valia a pena abrir tudo e escrever sobre o assunto na íntegra. Sem arredondamentos convenientes, sem esconder os meses maus, com a mesma transparência que tento manter em todo o resto do que faço aqui.
O número que fecha o mês: 133 618 €
Julho fechou com um património líquido total de 133 618 €.

Comparado com Junho, subi 8695 €, ou seja, mais 7,0% num único mês. É, sinceramente, um dos meses mais fortes que tive em termos absolutos, e já vou explicar porquê, porque a explicação é mais interessante do que o número em si.
Mas o dado que mais me faz parar para pensar não é o mês. É a linha de baixo: comparado com o início de 2022, o património cresceu 120 636 €, um aumento de 929%. Por outras palavras, em pouco mais de quatro anos e meio, o valor multiplicou-se por mais de dez.
Escrevo isto e a tentação seria vender-te a ideia de que existe algum truque. Não existe. Existe tempo, existe consistência, e existe uma parte grande de dinheiro que fui poupando mês após mês, algo a que volto mais à frente porque é onde muita gente se engana a interpretar estes gráficos.
Como está composto o património agora
Uma coisa é o número total. Outra, bem diferente, é perceber onde é que esse dinheiro está a viver. E aqui é que se percebe a estratégia por trás.

A composição em julho de 2026 é esta:
- Investimentos: 107 011 €, ou seja, 80,1% do total. É de longe o maior bloco, e é o motor real de tudo. Estamos a falar de ETFs para longo prazo.
- P2P e alternativos: 18 067 €, 13,5% do total. É a parte que gera juro de forma mais previsível e que tem vindo a crescer de forma muito consistente.
- Liquidez: 8387 €, 6,3%. Dinheiro parado, disponível, entre contas à ordem e fundo de emergência.
- Crypto: 153 €, uns simbólicos 0,1%.
Aquela fatia da crypto merece uma nota honesta, porque a história dela conta muito sobre como fui mudando. Houve um período, em 2024, em que a crypto chegou a representar quase 13 000 € do meu património. No final desse ano, saí quase por completo. Não é conselho para ninguém fazer o mesmo, é apenas o retrato fiel de uma decisão que tomei e que se reflete nestes números.
O que eu quero que retires desta secção é simples: 80% do meu património está em investimentos de mercado e outros 13,5% em P2P. Isto não é uma conta poupança, é uma carteira construída para crescer, com tudo o que isso implica de bom nos meses bons, e de desconfortável nos meses maus.
A viagem desde 2022, ano a ano
Gosto de olhar para os fechos de ano, porque é aí que o ruído do dia a dia desaparece e fica só a tendência.

Há aqui uma leitura que quero fazer contigo, porque é fácil olhar para os primeiros números e ficar deslumbrado. Em 2023 quase dupliquei o património, em 2024 voltei a crescer quase 85%. São números enormes.
Só que há um efeito matemático simples por trás. Quando a base é pequena, as percentagens são gigantes. Crescer de 21 mil para 41 mil é 94%, mas em valor absoluto são 20 mil euros. Crescer de 96 mil para 133 mil, que parece uma percentagem mais modesta, são já 37 mil euros de aumento. A percentagem abrandou, mas o valor real que entrou foi muito maior.
Repara também em 2025. Foi o ano em que o crescimento percentual mais desacelerou, apenas 27,2%. E, no entanto, foi um ano perfeitamente normal e saudável. Nem todos os anos são de foguetes, e faz parte. Quem só se habitua às percentagens dos primeiros anos, mais cedo ou mais tarde fica frustrado. A maturidade financeira é perceber que crescer 27% num ano, sobre uma base já grande, é excelente.
O que aconteceu especificamente em julho
Voltemos ao mês. Subi 8695 € face a Junho. De onde é que isso veio, exatamente?

Se decompuser o mês por categoria:
- Investimentos passaram de 103 005 € para 107 011 €, ou seja, mais 4006 €.
- P2P e alternativos subiram de 15 849 € para 18 067 €, mais 2218 €.
- Liquidez subiu de 5916 € para 8387 €, mais 2471 €.
- Crypto ficou exatamente na mesma, 153 €.
Ou seja, o mês foi forte em três frentes ao mesmo tempo. Os investimentos valorizaram, reforcei o P2P de forma consistente, e acumulei alguma liquidez. Não houve um único evento mágico, houve várias peças a somar no mesmo sentido.
E é precisamente aqui que quero ser transparente sobre uma coisa que os gráficos escondem.
A verdade sobre a minha taxa de crescimento
O meu ficheiro diz que a minha taxa de crescimento média é de +4,41% por mês. Parece brutal. E é, se alguém acreditar que isso é retorno de investimento. Não é.

Aquela taxa inclui tudo. Inclui o dinheiro que fui poupando do meu trabalho e injetando na carteira, mês após mês. Não é o mercado a render 4,41% ao mês.
Faço questão de deixar isto claro, porque vejo muita gente a olhar para gráficos de património de criadores e a pensar que aquilo é rentabilidade pura. Não é o meu caso, e duvido que seja o de quase ninguém. O grosso do crescimento nos primeiros anos veio da minha capacidade de poupança, não de retornos milagrosos. O mercado ajuda, compõe, faz a bola de neve andar. Mas o combustível inicial fui eu a poupar de forma disciplinada.
Isto também significa uma coisa importante para o futuro: se a minha capacidade de poupança mudar, e vai mudar, com a mudança de estrutura e de país, esta taxa histórica deixa de fazer sentido como previsão. O passado explica de onde vim, não garante para onde vou.
Aliás, se olhares com atenção para o histórico mês a mês, vais ver que isto nunca foi uma linha reta. Em fevereiro de 2026 o património saltou para 112 127 €, e logo em março caiu para 105 357 €. Perdi valor de um mês para o outro, porque o mercado desceu. Faz parte. Quem investe em mercado tem meses vermelhos, e escondê-los seria desonesto.
As projeções, e porque é que as leio com pinças
O ficheiro faz também uma extrapolação para o futuro, em três cenários. Vou partilhá-las, mas com um aviso grande à cabeça.

- Cenário conservador, a +1,10% ao mês: fecho de 2026 em torno de 149 021 €.
- Cenário base, a +2,21% ao mês.
- Cenário otimista, ao ritmo histórico de +4,41% ao mês: cerca de 193 626 € no fim de 2027, e 251 583 € no fim de 2028.
Agora o aviso. Isto é matemática, não é destino. É simplesmente a minha taxa histórica projetada para a frente, como se tudo se mantivesse igual. E nunca nada se mantém igual. Estas projeções assumem que continuo a poupar e a investir ao mesmo ritmo, que os mercados colaboram, e que a vida não me atira nenhuma curva pelo caminho. Nenhum destes três pressupostos é garantido.
Uso os cenários como bússola, não como promessa. Ajudam-me a perceber ordens de grandeza e a manter a motivação. Mas se há coisa que quero que fique deste artigo, é que não olhes para o cenário otimista e o tomes como um plano. Toma o conservador como plano, e trata tudo o resto como bónus.
Isto não é aconselhamento financeiro. É o retrato honesto dos meus números e da forma como eu próprio os interpreto.
O que aprendi ao fechar julho
Se tivesse de resumir o que este mês me confirmou, seria isto.
Primeiro, que a consistência ganha sempre ao brilhantismo. Não fiz nada de extraordinário em julho. Investi, reforcei o P2P, mantive a disciplina. E, ainda assim, foi um dos melhores meses do ano. Os melhores resultados quase nunca vêm de decisões geniais, vêm de repetir decisões banais durante anos.
Segundo, que a estrutura da carteira importa tanto como o valor total. Ter 80% em investimentos e 13,5% em P2P não é acidente, é uma escolha sobre o tipo de risco e de retorno que quero. É isso que faz o número mexer nos meses bons, e é isso que exige estômago nos meses maus.
Terceiro, que a transparência sobre a origem do crescimento é meia batalha ganha. No dia em que aceitares que a maior parte do teu progresso vem da tua taxa de poupança, e não de um retorno mágico, paras de procurar o investimento milagroso e começas a arrumar a casa a sério.
E agora, a tua vez
Este é o meu retrato de julho. O teu vai ser diferente, com outros valores, outras categorias, outro ritmo. E é exatamente por isso que partilho o ficheiro.
Não interessa se estás nos primeiros mil euros ou se já vais a caminho dos cem mil. O que muda tudo é começares a medir. O que não se mede não se acompanha, e o que não se acompanha raramente melhora.
Descarrega o ficheiro, preenche o teu primeiro mês, e volta cá daqui a um ano para veres a diferença. Eu começei com 12 982 € em janeiro de 2022. Hoje estou em 133 618 €. Não foi por causa de nenhum truque. Foi por causa de meses como este, um a seguir ao outro.
📥 Descarrega o ficheiro de acompanhamento de património, gratuito, aqui.
Nota: este artigo tem uma finalidade educativa e de partilha pessoal. Os valores apresentados são os meus e não constituem qualquer recomendação de investimento nem aconselhamento financeiro. Cada pessoa deve tomar as suas decisões de acordo com a sua situação, os seus objetivos e, sempre que fizer sentido, com apoio profissional.