Artigo em parceria paga com a 8lends. As opiniões, o enquadramento e os avisos de risco são da minha responsabilidade editorial. Nada nisto é aconselhamento financeiro nem recomendação financeira.
Durante boa parte do verão, quem investiu em cripto teve pouco de que se gabar. O sentimento começou a azedar no final de maio e, por quase todo o junho e as primeiras semanas de julho, o Índice de Medo e Ganância do mercado cripto ficou preso em medo extremo.
Entretanto recuperou para a casa dos trinta e poucos, mas isso está longe de ser um regresso à confiança. É mais um mercado que deixou de estar em pânico e ainda não decidiu se acredita em alguma coisa.

E os preços explicam o clima. A Bitcoin tem tido dificuldade em reconquistar níveis técnicos importantes, e o resto do mercado tem estado bastante mais fraco ainda. Nos dados mais recentes, a Bitcoin anda perto dos 63.500 dólares, a Ethereum à volta dos 1.900 e a Solana nos 75.
Para muitas altcoins, isto deixa os investidores bem abaixo dos preços a que tinham entrado no início do ano. E há um detalhe que diz tudo sobre o estado de espírito, nos mercados de previsões, aposta-se hoje mais numa Bitcoin a revisitar os 40.000 do que a voltar aos 100.000 este ano.

Até as boas notícias têm custado a pegar. Os últimos dados de inflação nos Estados Unidos saíram praticamente como o mercado queria, e ainda assim a Bitcoin continuou a enfraquecer. O problema não é uma notícia em concreto, é que o preço, o momentum e o posicionamento estão todos a dizer a mesma coisa, o mercado ainda não encontrou um chão firme.
Num cenário destes, cada um puxa para seu lado. Uns veem a queda como oportunidade de comprar, outros saem para a linha lateral e ficam a ver, e os mais pragmáticos procuram outros sítios para pôr o dinheiro a trabalhar. Antes de decidires qual deles és, há uma pergunta que vem primeiro.
A pergunta a fazer antes de qualquer outra
Antes de decidires o que comprar, vender ou manter, tens de responder a uma coisa mais básica: que função é que este dinheiro tem de cumprir? Numa altura de medo, isto é meio caminho andado, porque dinheiro que podes precisar em breve não se gere da mesma maneira que dinheiro que puseste de lado de propósito para o futuro.
Há três baldes, e vale a pena saberes em qual estás a mexer.
O primeiro é a reserva de emergência, o dinheiro que tem de estar sempre seguro e acessível de imediato. Esse não pode andar exposto à volatilidade do cripto, nem preso em estratégias onde a corrida ao rendimento te tira a liquidez quando mais precisas dela.
O segundo é o que costumo chamar pólvora seca, capital que guardas de propósito para aproveitar oportunidades. Esse precisa de estar líquido e disponível a curto prazo, o que normalmente exclui prazos de bloqueio e torna a flexibilidade mais importante do que espremer o último ponto percentual de juro.
E o terceiro é o capital de longo prazo, dinheiro que não contas precisar durante anos. É o único balde onde faz sentido sequer pensar em coisas menos líquidas, com rendimento associado ou risco mais alto, em troca de um retorno potencialmente maior.
Repara que a estratégia certa muda consoante o balde. A mesma decisão pode ser sensata para um e imprudente para outro.
As quatro reações ao medo extremo
Quando o mercado cai, quase toda a gente escolhe uma de quatro respostas.
A primeira é vender e sair.
É a mais defensiva, cristalizas a perda e ficas à espera que as coisas melhorem. O problema é o que vem a seguir. Se a Bitcoin cai dos 63.500 para os 50.000 e tu vendeste a 63.500, tens de decidir quando voltas a entrar. Esperar por confirmação costuma significar entrar mais caro. Comprar logo arrisca descobrires que o mercado ainda tinha mais para cair. E, no meio disto, os spreads, as comissões e os impostos vão somando.
A segunda é aguentar e não fazer nada.
Para quem continua fiel à sua estratégia de longo prazo, ficar quieto é perfeitamente racional. Não há comissões, não há risco de execução, não tens de adivinhar o fundo. O custo aqui é de oportunidade, o teu dinheiro fica amarrado a um ativo sob pressão enquanto outros mercados ou estratégias podem estar a oferecer melhor relação risco-retorno.
A terceira é reforçar na queda, o famoso comprar mais barato para baixar o preço médio.
Baixa, sim, mas também aumenta o capital exposto ao mesmo risco. Imagina que compraste 10.000 de Bitcoin a 80.000 e mais 10.000 a 60.000, o teu preço médio passa a rondar os 68.600. Só que, se a Bitcoin continuar a cair até aos 45.000, não resolveste nada, apenas aumentaste o tamanho da posição que está a perder. Reforçar na queda funciona melhor quando decides à cabeça quanto estás disposto a comprometer, e não quando o vais fazendo por impulso.
A quarta, e é aqui que a conversa fica interessante, é rodar para stablecoins e pôr esse dinheiro a render.
Esta saída tira-te a exposição aos ativos especulativos mas mantém o capital dentro do ecossistema. Nos grandes mercados de crédito em DeFi, o empréstimo mais conservador de stablecoins pode gerar taxas na ordem dos 3% a 8%, muito dependentes do estado do mercado. E há ainda as plataformas de crowdlending peer-to-peer em Web3, que oferecem crédito a taxa fixa.
Ao emprestar capital a pequenas e médias empresas, uma plataforma como a 8lends anuncia taxas na ordem dos 19% a 25% ao ano. E aqui tenho de parar para ser claro contigo, porque isto é o coração da questão.

O risco por trás de cada escolha
Não existe resposta sem risco para um mercado preso em medo extremo. Vender e sair tira-te da queda mas cristaliza a perda e cria o problema de decidir quando voltar. Aguentar deixa o dinheiro exposto a novas descidas e tem o tal custo de oportunidade. Reforçar pode aumentar a tua exposição a um ativo que ainda vai a meio da queda.
E rodar para stablecoins a render, que à primeira vista parece a jogada esperta, também não torna o dinheiro livre de risco. O que estás a fazer é trocar um tipo de risco por outro. Sais do risco de mercado da Bitcoin e entras no risco de falha de smart contracts, no risco de contraparte e de plataforma, na possibilidade de as taxas mudarem, em restrições de liquidez, e, no caso do crédito à economia real, no risco de incumprimento de quem pediu emprestado.

Dito isto, para quem procura um perfil de risco mais previsível, o crédito privado pode ser uma proposta adequada. O capital fica denominado em stablecoins, o que te tira a montanha-russa de preço dos ativos cripto, e plataformas como a 8lends estruturam o crédito com o apoio de smart contracts e com garantias associadas a ativos do mundo real. A troca é esta, abdicas de alguma liquidez e assumes algum risco de crédito em troca de uma fonte de retorno mais estável.

A pergunta certa no fim
Repara que a pergunta importante nunca foi qual destas estratégias tem o retorno mais alto. Foi sempre qual o risco que estás disposto a correr, e com que balde de dinheiro. O medo extremo não faz o risco desaparecer, apenas torna muito mais difícil ignorar a escolha entre um tipo de risco e outro.
E o aviso do costume, que é a sério. Nada disto é aconselhamento financeiro.
Investir em cripto, em DeFi e em crédito P2P envolve risco de perda de capital. As taxas referidas são anunciadas pelas plataformas e não representam retorno garantido. Faz sempre a tua própria pesquisa e investe apenas o que estás disposto a perder.
Aviso: este artigo tem caráter informativo e reflete a minha experiência pessoal enquanto investidor. Não é aconselhamento financeiro. O investimento em plataformas de P2P envolve risco, incluindo a perda parcial ou total do capital investido. Os retornos passados não garantem retornos futuros. Antes de investir, avalia a tua situação e, se necessário, procura aconselhamento profissional independente.