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# Porque é que o USDC Não é Bitcoin
- URL: https://www.fabioroque.pt/porque-e-que-o-usdc-nao-e-bitcoin/
- Published: 2026-10-14T18:01:00.000Z
- Updated: 2026-10-14T18:01:00.000Z
- Author: fabio

Aviso de transparência: este artigo é uma parceria paga com a 8lends.  
Isso não muda a forma como te vou falar dos riscos, nem isto é conselho financeiro ou recomendação de investimento.

Já falei sobre este tema em vídeo no canal, que podes ver aqui: [vídeo no YouTube](https://youtu.be/zlR1hePoWdk?ref=fabioroque.pt). Este artigo é a versão escrita, com tudo o que expliquei lá, para quem prefere ler com calma ou voltar a consultar mais tarde.

No artigo passado desta série com a 8lends, expliquei-te o que é o peer-to-peer em blockchain.  
E prometi-te que hoje íamos falar sobre um ponto que, por norma, costuma meter um entrave nas pessoas quando chegam a este mundo: as stablecoins.  
  
Porque sim, a palavra cripto ainda assusta muita gente, e eu entendo perfeitamente o porquê. Pensamos logo em Bitcoin, em gráficos malucos, num ativo que sobe 20% num dia e cai 50% no dia seguinte, ou em alguém que ficou rico da noite para o dia e noutro que perdeu tudo do dia para a noite. Mas aquilo de que vou falar aqui é uma coisa completamente diferente, e é importante que percebas bem esta diferença antes de avançarmos com esta série.

Este é o segundo artigo de uma série de seis, com o apoio da 8lends, a plataforma de peer-to-peer lending em blockchain onde eu próprio tenho o meu dinheiro investido.  
  
Se ainda não leste o primeiro artigo desta série, vale a pena começares por aí, porque esta série foi pensada para ser acompanhada passo a passo. E já agora, se estamos a falar de investimentos, existem riscos associados. Se estamos a falar de peer-to-peer, o risco já é um pouco mais elevado.  
  
Se estamos a falar de criptomoedas, por causa da volatilidade, é ainda mais arriscado. E aqui estamos a juntar peer-to-peer lending com blockchain. Por isso, faz sempre a tua própria análise e avalia se este tipo de investimento faz sentido para ti.

## Para relembrar, em três fases

Peer-to-peer em blockchain é emprestares o teu dinheiro a uma empresa e, em troca, receberes juros, tal como num peer-to-peer normal. A diferença está em três pontos: primeiro, o dinheiro entra e sai em stablecoins; segundo, o registo dos pagamentos fica público na blockchain; terceiro, és tu que controlas o teu dinheiro através de uma carteira digital. Hoje vamos abrir a primeira destas três peças, as stablecoins, porque sem perceberes esta parte não vais perceber nada do que vem a seguir nesta série. Por isso, lê este artigo com atenção.

## Porque é que o Bitcoin sobe e desce, e a stablecoin não

Vamos começar pela base. Uma criptomoeda como o Bitcoin ou a Ethereum não tem um valor fixo, e o preço sobe e desce todos os dias, por vezes de forma muito violenta. Apesar de o Bitcoin ter a sua essência e a Ethereum ter uma estrutura por trás, a verdade é que o preço depende muito da procura e da oferta. É quase como um mercado de especulação, onde umas pessoas colocam o dinheiro a achar que o ativo vai subir e outras a achar que vai descer. E se houver mais vendedores do que compradores, seja em criptomoedas ou em ações, o preço acaba por descer.

Uma stablecoin nasce precisamente para resolver este problema. É uma moeda digital criada para manter mais ou menos o mesmo valor de uma moeda real, neste caso o dólar. Por isso é que se diz que um USDC vale sempre à volta de um dólar. Não existe aqui especulação nem promessa de valorização, porque foi criado com o propósito de que um USDC valha sempre um dólar, hoje, amanhã ou daqui a um ano.

## Como é possível uma moeda digital valer sempre o mesmo

![](https://storage.ghost.io/c/b0/69/b069d381-2d14-4e64-99e8-5e21e6a43693/content/images/2026/10/sRvYNpoVsCC0KperRb8uf.jpg)

Na maior parte dos casos, incluindo o USDC, a empresa por detrás da moeda guarda um dólar em reservas reais, em ativos líquidos e seguros, como dinheiro em caixa e dívida pública de curto prazo dos Estados Unidos, por cada unidade de moeda em circulação. Emitem o USDC, guardam o dólar de garantia num banco ou em obrigações, e esse é o lastro que sustenta o valor.

O USDC é emitido por uma empresa chamada Circle, que publica todos os meses um relatório de auditoria independente a confirmar que as reservas existem e estão seguras, e que tudo o que têm guardado cobre os USDC em circulação. Hoje em dia há mais de 74 mil milhões de dólares em USDC a circular, segundo dados da própria Circle, o que te dá uma ideia da escala deste mercado e de quanta gente já usa esta stablecoin no dia a dia, não só para investir, mas também para mover dinheiro.

É importante dizer isto, porque nem todas as stablecoins funcionam assim. Já existiram casos de stablecoins algorítmicas que tentavam manter o valor estável sem nenhuma reserva real por trás, apenas com fórmulas matemáticas e alguns tokens, o que é muito arriscado e pouco sustentável. O exemplo mais conhecido é a TerraUSD, a famosa UST, que não tinha um único dólar guardado em reserva. Em vez disso, o seu valor estava ligado a outro token, a Luna, através de um mecanismo de queima e emissão: para criar um UST, "queimava-se" um dólar em Luna, e vice-versa. A teoria era que, se o UST se desviasse do dólar, alguém ganharia dinheiro a corrigir essa diferença, mantendo assim o preço estável. Na prática, em maio de 2022, bastou uma venda maciça de UST para quebrar esta engrenagem. O token perdeu a paridade com o dólar, a Luna desvalorizou de mais de 80 dólares para pouco mais de um dólar em poucos dias, e mais de 40 mil milhões de dólares em valor desapareceram do mercado numa questão de dias. Aquilo que valia um dólar passou a não valer rigorosamente nada.

Não te estou a contar isto para te assustar, mas para te dar a informação que precisas para perceberes o que vais fazer com o teu dinheiro e se este mundo é para ti. O USDC segue o modelo oposto, com o valor guardado num banco ou em obrigações e auditorias independentes, considerado hoje o modelo mais robusto dentro das stablecoins. Isto reduz o risco de algo correr mal, mas não o elimina a 100%.

## E cá na Europa, isto é legal

Esta é uma pergunta que muitos de vocês já me fizeram, e com toda a razão. Desde 2026, entrou em vigor na União Europeia o MiCA, o regulamento que trata especificamente das criptomoedas e das stablecoins. E a notícia importante aqui é que o USDC está em conformidade com o MiCA, o que significa que a Circle cumpre as regras europeias de transparência, de reservas e de supervisão. Na prática, isto coloca o USDC num grupo pequeno de stablecoins que continuam a poder ser usadas livremente dentro da União Europeia, ao contrário de outras stablecoins maiores a nível global, como a Tether, a USDT, que até à data não garante o mesmo nível de conformidade com as regras europeias.

E já agora, a Circle, a empresa por trás do USDC, tem também uma versão em euros, chamada EURC, igualmente em conformidade com o MiCA. Não vamos usar o EURC nesta série, porque a 8lends trabalha com USDC, mas acho importante que saibas que existe, porque pode fazer sentido para ti no futuro se preferires evitar a exposição à conversão de euro para dólar.

## O ponto mais importante deste artigo

Quando compras Bitcoin, estás a fazer um investimento à espera que o preço suba, e o valor pode duplicar em poucos meses ou cair bastante com o tempo. Mas quando usas USDC, não estás à espera que o valor suba ou desça, porque o USDC não é um investimento. É uma ferramenta, uma forma de mover dinheiro real dentro do mundo da blockchain, sem teres de passar sempre por um banco tradicional. O objetivo de um USDC é sempre valer um dólar. Podemos considerar o USDC, dentro da blockchain, como a ferramenta que nos permite movimentar dinheiro entre investimentos nesse mundo, neste caso em criptomoedas.

## Para que mais servem as stablecoins

Antes de avançarmos para o rendimento, vale a pena perceberes que o USDC não nasceu para o peer-to-peer que vamos usar nesta série. É só um dos muitos usos. No mundo todo, as stablecoins são hoje usadas sobretudo para três coisas. A primeira é mover dinheiro de um lado para o outro do planeta em minutos e com custos muito mais baixos do que uma transferência bancária internacional tradicional, algo especialmente útil para quem envia dinheiro para família noutros países ou para quem trabalha como freelancer para clientes internacionais. A segunda é servir de "porto seguro" dentro do mundo cripto, ou seja, quando alguém vende Bitcoin ou Ethereum e não quer converter logo para euros, guarda o valor em USDC até decidir o próximo passo, sem sair da blockchain. A terceira é precisamente o que vamos explorar nesta série, emprestar e pedir emprestado, seja em plataformas de peer-to-peer como a 8lends, seja noutros protocolos de finança descentralizada. Achei importante contextualizar isto, para que percebas que o USDC não foi inventado para a 8lends, é uma ferramenta que já existia e que a 8lends aproveita para construir o seu modelo de negócio.

## De onde vem então o rendimento

Já expliquei o que é o USDC e a diferença para o Bitcoin ou a Ethereum. Agora vem a pergunta importante: de onde vem o rendimento de um investimento em peer-to-peer dentro da blockchain? Não vem da valorização do USDC, que mais uma vez vale sempre um dólar. Vem de conseguires emprestar os USDC que tens na 8lends a uma empresa, e em troca desse empréstimo, receberes juros sobre esses USDC.

O funcionamento é igual a uma plataforma de peer-to-peer tradicional que já conheces, como a Maclear, onde depositamos euros, emprestamos euros a uma empresa e recebemos juros em euros todos os meses. Na 8lends, emprestamos USDC, o equivalente a euros dentro da blockchain, e recebemos juros mensais em USDC. A diferença está só na moeda que usas e no registo que fica guardado, porque a blockchain é um registo completamente público onde ninguém consegue alterar nada. Se eu hoje emprestar USDC a uma empresa, isso fica registado publicamente na blockchain, e no dia em que a empresa me pagar os juros, também fica público para toda a gente ver.

Na plataforma da 8lends, colocas os teus USDC, que depois emprestas a empresas que fazem sentido para ti, e em troca ganhas juros sobre esse empréstimo. Mas atenção: quando emprestamos dinheiro, seja em euros ou em USDC, nenhum investimento tem retorno garantido. Nenhuma taxa está garantida e o nosso dinheiro também não está garantido a 100%, porque, tal como no peer-to-peer tradicional, as empresas podem passar por dificuldades e não pagar os juros nem devolver o capital emprestado.

## O meu investimento até agora

Dentro da minha conta da 8lends, tenho neste momento um investimento, e tudo o que aí está, incluindo transações, está público na blockchain para quem quiser ver. Fiz um empréstimo de 100 USDC no projeto "Mineração de Bitcoin", e todos os meses consigo gerar cerca de 1,92 USDC, o que dá um retorno total à volta de 23% ao ano sobre este investimento. Na secção "Primário" da plataforma, aparecem os investimentos disponíveis, divididos por nível de segurança, A para os mais seguros e B para os menos seguros, cada um com a taxa de retorno indicada.

Já recebi três pagamentos de juros, a 16 de julho, 11 de agosto e 14 de setembro, e tenho mais 1,93 USDC a chegar dentro de 14 dias. Até agora não falhou nada. Já lá vão cerca de quatro meses desde que investi, recebi três pagamentos, e dentro de poucos dias recebo mais um. Para mim, este é um complemento à carteira, e para a grande maioria das pessoas que me seguem, provavelmente também deveria ser tratado assim: um complemento, nunca o ativo onde alocamos a maior parte do portfólio ou do nosso dinheiro.

## Os riscos, que nunca salto

Primeiro, o risco de descolagem de valor. Em situações extremas no mercado das criptomoedas, ou se surgirem dúvidas sobre as reservas de uma stablecoin, esta pode perder o valor real face à moeda tradicional. Já aconteceu antes com outras stablecoins, e nunca sabemos ao certo se, no futuro, um USDC pode valer menos do que um dólar, seja por volatilidade do mercado ou por dúvidas sobre a segurança das reservas.

Segundo, o risco de emissor e de contraparte. Estás a confiar que a Circle, a empresa gestora do USDC, cumpre a lei e não faz nada de errado. É uma empresa regulada, sujeita a auditorias e, como já referi, em conformidade com o MiCA na Europa, mas nenhuma empresa está isenta de risco operacional ou regulatório, e as próprias regras podem mudar no futuro.

Terceiro, o risco tecnológico, que já referi no primeiro artigo desta série. As carteiras digitais e as transferências em blockchain são, por norma, irreversíveis. Se copiares mal um endereço, o equivalente a um IBAN, ao contrário de uma transferência bancária tradicional que normalmente volta para trás, o teu dinheiro em blockchain desaparece para sempre. É por isso que, mais à frente nesta série, vou mostrar-te passo a passo como criar a tua própria carteira, para que nunca te enganes.

Quarto, o risco de crédito e de plataforma, que já referi no artigo anterior: a empresa a quem emprestas o dinheiro pode não conseguir pagar os juros nem devolver o capital, e existe também o risco associado à própria plataforma da 8lends.

Quinto, o enquadramento fiscal. O rendimento em stablecoins tem um tratamento fiscal próprio, que varia de país para país. Não sou contabilista certificado, por isso, se tiveres dúvidas sobre este aspeto, o melhor é falares com um profissional, idealmente com experiência nesta área ainda pouco regulada em Portugal.

A regra continua a ser a mesma que já deixei no primeiro artigo desta série: se quiseres experimentar a 8lends, o link está aqui, mas lembra-te de que isto deve ser sempre uma fatia pequena da tua carteira. Não é onde colocas o teu dinheiro todo, nem o teu fundo de emergência, por muito aliciantes que pareçam retornos de 20% ou 23% ao ano. Eu próprio invisto apenas uma pequena parte, porque este continua a ser um mundo diferente daquele peer-to-peer tradicional a que já estamos habituados. Por isso, devagarinho, vou construindo a minha posição na 8lends.

## Para resumir

Uma stablecoin, neste caso o USDC, não é um investimento para subir nem para descer a longo prazo, ao contrário do Bitcoin ou da Ethereum. O USDC é uma ferramenta, apoiada por reservas reais, que usamos para emprestar o nosso dinheiro e receber juros em dólares dentro da blockchain, em plataformas como a 8lends. O risco não desaparece, apenas muda de forma.

No próximo artigo desta série, vamos sair da teoria e passar à prática: criar a nossa carteira digital do zero, onde depois conseguimos guardar as nossas stablecoins e colocá-las a render na 8lends. Se quiseres já dar esse passo e abrir a tua conta, tens aqui o link direto: [Link de registo 8Lends.](https://bit.ly/FabioRoque-8lends?ref=fabioroque.pt)

Como sempre, nada disto é conselho financeiro nem recomendação de investimento. Esta série, em parceria com a 8lends, existe para te explicar primeiro a teoria e depois a prática deste mundo, para que, percebendo o básico, consigas decidir por ti próprio o que fazer com o teu dinheiro.

Se tiveres dúvidas ou comentários, deixa aqui em baixo. Por hoje é tudo, até à próxima.